Autodeterminação dos povos e integração latino-americana por meio da valorização da cultura e da democratização da comunicação.

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20 de janeiro de 2009 — por

Salvador, BA

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sumiu?

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aqui tudo fica meio grudento

O calor de mais de 45° faz do protetor e do chapéu indispensáveis. O ardor do sol só é amenizado pelo frescor da brisa forte que dura o dia todo.
Ao anoitecer, o frescor da noite estrelada e iluminada pela lua, aflora vida na cidade. Diversos grupos se juntam, por todos os lados, para tomar uma cerveja gelada com o acompanhamento sonoro que mais gostam.

Pelo contrário do que comumente se pensa, os baianos não ouvem só samba e axé.
Alguns deles até se incomodam com esta generalização. Nas ruas e ladeiras, se ouve muito reggae e músicas regionais, uma rica mistura entre batucada, instrumentos de sobro, violas e muita animação.

calangos e baianos
O clima desértico e ao mesmo tempo rico em diversidade de espécies revela que estamos em direta conexão com a natureza local. Além do constante perigo de alguma manga rosa cair em sua cabeça das várias manguerias que por aqui se espalham, insetos e pássaros estão em abundância a nossa volta.
Mas a região mostra suas características mesmo é nos calangos. Pequenos lagartos, passeiam ao sol buscando primeiro se esquentar, depois se refrescar nas verdes folhas. Engraçado mesmo é ficar observando como de vez em quando eles param, e chacoalham a cabeça seguidamente. Mas melhor ainda é a resposta do porque disto de um legítimo baiano: eles estão dançando.
Sim, aqui tudo acaba em música. E muito boa. A mistura é forte, e contínuamente construída. A Universidade da Bahia reflete isto, são cinco variações nos cursos de música, que vão de instrumentos a composição.
Os bahianos em geral apreciam muito. Por vezes ouvi conversas de locais falando sobre rítmos e musicalidade. Sempre dançando, só posso imaginar que tanta força vem da constante necessidade de andar ladeiras acima, e abaixo.

Encontros e Culturas

Participar da Bienal de Cultura da UNE novamente é uma constante diversidade cultural e social. São delegações do país inteiro em um mesmo alojamento, a Escola Parque de Salvador. Uma escola modelo, o brilho dos olhos do povo daqui, tem um enorme espaço destinado a educação plural das crianças daqui. Desde espaços pra música, teatro, esportes e muita interação com a natureza.
A expectativa é grande para a abertura, hoje à noite com a participação do Cordel do Fogo Encantado, tocando depois de um grande arrastão cultural pelas ruas do Pelourinho. Mas esta apresentação reflete a busca de muitos aqui de mostrar a cultura brasileira com o que tem de melhor: a mistura.
A cada momento é possível deparar-se com delegações de estados diversos se unindo para fazer um som diferente. São Pernambucanos com Gauchos, Baianos com Paulistas, Cearenses com Gauchos e muito mais.
Para além da música, as pessoas aqui estão prontas para dialogar, aproximar, debater e perceber a grandesa de nossa cultura e de nossas terras. Mas a festa não ve fronteiras, e a integração é enorme.

o Pelourinho
Centro Histórico da cidade, é também rica área cultural. Em suas várias ruelas descobre-se caminhos para pequenas praças, nas quais a música e a festa tomam conta da diversão. De ensaios do Olodum até reggae de raiz com muitos velhos presentes.
A cultura está também no artesanato local. Muitas coisas de tribos indígenas, milhares de sementes diversas e muitos quadros de artistas locais. Nestas ruas muitos encontros são alegres, como os que o Poeta das Flores, há 10 anos proporciona nas ruelas de paralelepípedos.
Também por ali se ve muita arquitetura do tempo do Império Brasileiro, e muitos museus representam este mesmo tempo. Porém não consegui conhecer nenhum, a maioria deles passa por reformas.
No domingo o Pelourinho tem mais turistas que locais. Estes só estão presentes na tentativa de fazer dinheiro, e eles fazem dinheiro de tudo. As Fitinhas do Senhor do Bomfim são como iscas, para chamar a atenção dos turistas a verem seus produtos. Muitos colares de sementes e mais artezanato.
Ao ser abordado por um baiano, voce sabe que lá vem história. Um velho senhor se aproximou de mim querendo me vender colares de sementes de pau-brasil. Mesmo com meu primeiro desinteresse, ele aprofundou-se no papo: queria vender as primeiras peças pra logo tomar um rabo de galo. Melhor já começar com algo forte. O bom é que os baianos sagazes vendedores, fazem tudo para vender, e com isso agente sempre se dá bem nas negociações, nisto eles não são muito bons. Eu acabei comprando dois colares por R$10, e deixei ele feliz que iria tomar a primeira dose.

Ali sempre há apresentações, no entardecer está tendo um projeto de Luz e Som, lindo! Na praça, a estrutura sonora é bem distribuida, o que faz parecer que realmente os seis prédios que circundam a praça estão conversando sobre a história das lutas raciais que aqui se travaram. As imagens completam o quadro, projetadas nas paredes dos edifícios, são reinvindicatórias e histórias, muitas figuras negras. Lázaro Ramos é uma das vozes, o que caracteriza bastante a produção.

A cerveja aqui é muito barata. Assim como o acaraje e a agua de coco. Com dois reais se compra um latão de nova skin, e os baianos gostam mesmo deste líquido sagrado. nós também adoramos, com tanto calor é o que salva.

crenças
Os baianos são muito superticiosos. Mas as fitinhas do Senhor do Bomfim estão mais nas mãos dos turistas do que nas deles.
A lavagem das escadarias do Bomfim foram, infelizmente, um dia antes de nossa chegada, mas ainda se vê por lá milhares de fitinhas amarradas em suas grades, um espetáculo de cores flamulando no vento. A Igreja do Bomfim fica em uma área bonita da cidade, é a baia.
Aqui também se vê muitos fortes, resultado da história de invações holandesas na região.

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