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18 de maio de 2010 — por sorriso

Extrême racionalité… laissez-faire, laissez-faire

Domingo, acordei cedo pra daná hoje num dia atípico para tal feito. Mas enfim, fui obrigado a estar cedo no campus agrárias da UFPR para fazer uma prova de suficiência para provar que sei uma outra língua, e que isso me habilita a estar cursando o mestrado. Informação útil para você que está pensando, ou se preparando para fazer um mestrado. Se você não souber outra língua perdeu! Desista do seu sonho, vá plantar coquinho, pois só se você souber ao menos uma língua além do português você poderá ser mestre em alguma coisa.

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Ilha do pescado, salar do Uyuni, Bolívia. Foto: Érico Massoli.

É claro que estou falando isso em tom de sátira, mais pela situação na qual fui colocado no domingo pela manhã. Cheguei ao agrárias e centenas se acumulavam em frente ao portão, quer só foi aberto às 8h10. Olhava seus semblantes e pareciam que iriam prestar o concurso de suas vidas. Cheios de material de apoio para ajudá-los na prova. Nessa hora me senti fragilizado, porque só carregava comigo um romance de Gabriel García Márquez que nem estava escrito em espanhol. Era uma edição brasileira da Record de “Memórias de minhas putas tristes” muito mal traduzida diga-se de passagem. Parece que usaram um tradutor eletrônico que traduz ojalá como oxalá. Minúsculo ainda. Oxalá nos proteja de uma tradução de obras em espanhol para o portunhol mal escrito. Enfim, se meu García Márquez estivesse em espanhol não me ajudaria muito. Eu estava ali pra fazer uma prova de suficiência em inglês, mas pelos menos iria me sentir mais altivo frente àquelas pessoas super preparadas para o exame de suficiência.

Dirigi-me a minha sala de prova e tive que apresentar meus documentos. Obrigaram-me a deixar todos os meus pertences num saquinho plástico que eu estava achando, num primeiro momento, que era para pessoas que ficassem enjoadas, de tanto nervoso, vomitarem. Achei estranho, porque existia um campo para escrever seu nome e sua inscrição no saquinho. Será que se alguém vomitasse no saco, este seria levado a análise para saber se o ato de vomitar não foi um instrumento de fraude da prova? Imaginei tamanho absurdo, resultado de meu espanto com os procedimentos e cuidados que a aplicação daquela prova estava exigindo. Mas enfim, recebi minha prova, respondi-a inteira enquanto era recebida, em minha carteira, a fiscal de prova que coletou minha assinatura e, pasmén, minhas impressões digitais.

Nestes momento parece que todo mundo é criminoso e que todo mundo está ali a ponto de cometer uma fraude. A racionalidade instrumental que recai sobre a sociedade moderna dá medo pessoal. Por isso tanta gente tá fugindo pra ter uma vida mais solta nos sonhos bucólicos criados pelo artista. O laissez-faire que uma vida no campo permite, ajuda-nos a laissez la vie pasé aussi porque o ser humano não vai aguentar sistematizar cada passo da sua vida. Eu pelo menos não.

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